Scan barcode
A review by mathiaseichbaum
Um Pequeno Herói by Fyodor Dostoevsky
4.0
Muito menos intenso e claustrofóbico do que outras obras de Dostoiévski, muito mais singelo e até agradável, luminoso, como Fátima Bianchi diz no bom ensaio que serve de posfácio à obra. Tem um tom, se não feliz, leve, característico da infância, mas ao mesmo tempo cheio dos sentimentos contraditórios e confusos que caracterizam todos os personagens de Dostoiévski.
É uma obra bonita, de um certo romantismo bem colocado, que revela alguns pontos de crítica do autor, como o discurso sobre o marido de Madame M* (achei curioso que, aparentemente, esse é sempre um dos trecho mais lembrados dessa novela), que mostra essa raiva com o pretenso artista e/ou gênio, que age como superior de espírito, mas que é, no fundo vazio (um coração de banha).
Gosto do final, quando o menino, nosso pequeno herói de 11 anos, entende e assume plenamente que vive sua primeira paixão, por Madame M*. Ele topa com ela e o (dá-se a entender) amante dela, que lhe deixa uma carta. Ela perde essa carta, mas o menino acha. Ela procura a carta e ele acaba lhe dando-a "disfarçadamente", dentro de um buquê. Ela lhe dá um beijo enquanto ele finge que dorme. É um amor mais adulto (e sexual, de certo) que chega.
Interessantíssimo que talvez a obra mais alegre de Dostoiévski tenha sido escrita na prisão. A diferença entre a obra e o mundo que ele via no cárcere de São Petersburgo é realmente algo notável...
É uma obra bonita, de um certo romantismo bem colocado, que revela alguns pontos de crítica do autor, como o discurso sobre o marido de Madame M* (achei curioso que, aparentemente, esse é sempre um dos trecho mais lembrados dessa novela), que mostra essa raiva com o pretenso artista e/ou gênio, que age como superior de espírito, mas que é, no fundo vazio (um coração de banha).
Gosto do final, quando o menino, nosso pequeno herói de 11 anos, entende e assume plenamente que vive sua primeira paixão, por Madame M*. Ele topa com ela e o (dá-se a entender) amante dela, que lhe deixa uma carta. Ela perde essa carta, mas o menino acha. Ela procura a carta e ele acaba lhe dando-a "disfarçadamente", dentro de um buquê. Ela lhe dá um beijo enquanto ele finge que dorme. É um amor mais adulto (e sexual, de certo) que chega.
Interessantíssimo que talvez a obra mais alegre de Dostoiévski tenha sido escrita na prisão. A diferença entre a obra e o mundo que ele via no cárcere de São Petersburgo é realmente algo notável...